sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cap I, pagina I

Capitulo I
(página um)

Olho pela janela e relembro o dia em que o ser meio cão, meio bode, entrou de rompante pelo nosso esconderijo matando seis dos oito que éramos. De como ele corria sobre as paredes e tectos da casa. A facilidade que tinha em atirar ao chão e arrancar os membros das suas vitimas.
A sorte que tivemos dos gritos daqueles que morriam não atrairem mais deles. De como um rapaz esguio, na altura de nome Jorge, pegou num ferro caído no chão e o espetou no meio dos olhos do "cão". A primeira vez que vi o sangue deles a jorrar dos seus corpos.
Todas estas memorias me assaltam em ondas, desde esse dia.
Já se passaram oito anos.
Neste tempo, do nosso lado, fomos encontrando mais sobreviventes, criámos um asilo subterrâneo e a melhor defesa que soubemos. Armas de fogo são poucas, por isso machados, facas, espadas e tudo que faça eles sofrerem é o melhor que temos.
Mas o mais importante, aprendemos a observá-los, a evitar e a lutar contra eles.

O meu nome é Cássio Aquiles Lopes e este é o ano 2016.

Tenho informações de que os seres conquistaram e mataram toda vida na Europa e Ásia. Os Estados Unidos foram atacados mas conseguiram defender-se durante dois anos, até que foram atacados por Cuba. A não prever este ataque, os Estados Unidos caíram e Cuba tornou-se na nova potência mundial. Mas, nos dias em que correm, creio que isso não significa muito.
Em 2009 Cuba lançou três bombas núcleares contra os seres na América do Norte, mas não adiantou nada. Morreram centenas ou mesmo milhares deles, mas os mesmos apareceram num espaço de dias.
Ainda nao sabemos donde eles vêm, nem o porquê.
A última noticia que ouvimos na rádio foi há três anos atrás. Desde aí alguns de nós acreditam ser os únicos sobreviventes da raça humana.

Introdução


Lisboa esta em chamas.

Eles vieram durante o nascer da noite. Seres que nunca antes tinha visto em filmes, lido em livros ou sonhado nos meus piores pesadelos.
Sairam das árvores. Do mar. Do chão. Bocas enormes em chamas puxadas por crianças em cinzas e olhos vermelhos que se riem enquanto matam, pilham e tudo queimam. Dos céus surgiram luzes verdes rodeadas por seres voadores envoltos por gritos de choro, queimando, em segundos, casas, prédios e tudo que estivesse pelo caminho. Entre corpos e cinzas consegui fugir de carro até Sintra e para trás deixei em lágrimas amigos, familia e a minha filha que perdi para este dias de jugalmento final. Fechei na minha mente as suas mortes que assisti para tentar viver para mais um dia.

Sintra, eventualmente foi atacada com a mesma violencia que Lisboa. Não sei como sobrevivemos, mas, o que importa é que agora nesta casa meia desfeita tudo observamos sem saber que próximo passo dar. Somos oito, um rádio e vários enlatados. Não falamos uns com os outros e nao sussurramos com medo que eles se sintam atraídos pelas nossas vozes. Apenas nos damos ao luxo de passear com o olhar uns pelos outros. O rádio, só o ligamos no minimo durante o dia que é quando eles parecem estar mais distantes, ou apenas mais escondidos. Lisboa foi só o inicio pelo que consegui ouvir no radio. Já conseguiram avançar até a fronteira de Espanha e França. Nenhum pais estrangeiro nos ajuda, porque estão demasiados preocupados com as suas defesas, e os Estados Unidos, Brazil e México apenas não ajudam com medo que eles fiquem a saber o caminho pelo mar até ao seu continente. O que eles não sabem é que eles apareceram de todos os lados e não irá ser um Oceano que os irá parar.

Creio que mesmo em tempos finais a arrogância é demasiado bela para ser posta de lado.

Este é do décimo terceiro dia desde o "ataque" e a meio da noite observo pela janela um ser com corpo de bode e cabeça de lobo cheirando e aproximando-se do nosso esconderijo. Da sua boca caem correntes que arrastam caveiras meias raxadas.

Cheira, arranha, até que pára a olhar para a casa. As correntes da sua boca tremem.

É agora... O inicio dos meus últimos dias.




Continua.





Escrito por.: Daniel Lopes

Apenas uma ideia que me apareceu na cabeça, provavelmente devido a todas as imagens que me teem chovido na mente nestes ultimos dias.


No proximo texto. Cuba como nova potencia mundial, e sangue. lol ^^
P.s.: Aceitam-se propostas de titulos por favor. : P


Imagem por.: Gustave Doré de 1865

sábado, 12 de julho de 2008

Um dado de Seis



Suspirei e a dor foi levada com as folhas de um novo amanha.

Já mais serei um pedaço de papel rasgado colado no teu sapato enquanto caminhas pelo teu passeio das lembranças.

Atiro um dado de seis e aqui começa um novo dia. 

E com o novo dia apareces tu.

Podemos passar a noite juntos, onde eu irei falar junto do teu pescoço até sentir a tua pele ao meu agrado. Os meus dedos podem passar pelo teu corpo até sentir um desejo incrivel de te beijar. Aqueles desejos que nos assaltam nos momentos que menos esperamos. E isto tudo é o que desejamos enquanto vivemos, e bebemos uma bebida desta vez ao teu gosto. 

Dás-me a mão e estamos no nosso bar preferido. A agulha do gira discos vai rasgando o vinil e a musica dança com os nossos corpos. As luzes vão realçando as nossas feições e os nossos sorrisos enquanto vivemos por momentos neste mundo de desejos e verdades.

Podemos passar a noite juntos, onde estas a usar as minhas ligas preferidas. Entre um sorriso e um toque de lábios, nós, esta noite, vamo-nos beijar. Beijos quentes e profundos. Suor no meio dos nossos peitos. Intacto e puros os nossos corpos um contra o outro. Podemos passar a noite juntos e podemos viver para sempre, pois esta, é a nossa noite. 

Tu, dás-me luz, entao, esta noite leva-me para onde quizeres, que eu beijo-te as cochas e desenho o teu retrato com as minhas mãos. 

Tão verdadeiro. Diz-me como te sentes.

Atiro um dado de seis e arrisco mais uma vez na minha bela senhora. 

Texto por.: Daniel Lopes

Dedicado a.: Sofia, pois mereces tudo e o quer que venha, eu estarei sempre aqui.

Foto.: A bela Modelo e minha amiga bryttny's. Thanks Girl ;)  

terça-feira, 24 de junho de 2008

Amor e Doença


Hoje acordei ao sabor da lua a lamber os céus. Nao questionei o meu acordar nem o porque. Apenas sentei-me na cama e cuspi o sangue que tinha nos pulmoes. Ao olhar para o sangue senti vontade de o espalhar pelo espelho do quarto. Algo em mim queria tapar ou esconder tudo que ele tinha visto. 

Sera que ele sentiu o mesmo que eu?

Espelho meu, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu agora no final?

O meu punho cerra-se e começo a bater no espelho. Ele vai rachando. Vai quebrando. Vai sentindo a dor que sinto desde o momento em que pousei o meu olhar em ti. No momento que senti o teu cheiro. O espelho quebra. Pedaços de vidro voam cortando a minha face, e, em cada gota de sangue que sai do meu corpo eu mato um momento que vivi contigo. 

Duas horas passam e o meu corpo fecha as feridas que tenho. A porta abre-se. Tu entras pegando em mim e levas-me nesta cadeira com rodas. Falas e sussurras ao meu ouvido. Não consigo entender uma unica palavra, porque me perco com demasiada facilidade no teu sorriso. 

O meu corpo vai morrendo. O caminho até ao meu último destino acontece. 

A tua mão sobre a minha perna enquanto conduzes faz-me olhar pelo vidro e notar em todos os pormenores que atá hoje não tinha dado importância.

Vou sentir falta deste mundo.

As árvores que servem de ninho para os pássaros e de sombra para os casais. Vento suave num dia de calor. Vozes que falam uma com a outra. Carros com famílias lá dentro. Carros com pessoas sozinhas. Caminhos percorridos. Caminhos por percorrer. Onde vamos nós? Para onde? 

Vou sentir falta deste mundo.

Há oito anos atras, ainda antes de a beijar, ela disse-me que não podia algum dia ficar comigo porque tinha sida. Que não era justo amar alguém para depois quem sabe estragar-lhe a vida, e ver essa pessoa desaparecer. A minha resposta a esse momento foi apenas esta... beijá-la. Não queria saber. Era algo com que podia viver e contornar. Só e apenas queria tratar dela... pois, ela, era o meu amor. 

É o meu amor.

Ainda hoje, nos meus últimos momentos não me arrependo da decisão que tomei. Tratei dela, como sempre desejei, mas a doença acabou de cair sobre mim, e com a doença veio o ser chamado de morte que agora arranha a minha alma. Creio que me vou com um sorriso, mas, lamento saber que esta minha viagem parte-lhe o coração, e que ela se culpa por tudo que aconteceu. 

Nada disto é culpa dela. Não estou em dor.

Olho para ela, e tenho a certeza, que depois deste dia ela irá tomar a sua própria vida, e isso eu não posso deixar acontecer. Quero que ela tenho um funeral católico num futuro. Mesmo que lhe peça com todas as minhas forças ela vai ser a casmurra que sempre foi e não me irá ouvir, ou ligar a algo que lhe peço. Prendo-me nela. Na sua mão sobre a minha perna. Não tenho muitas mais forças. Uso o peso que resta do meu corpo e encosto-me a ela. Aproximo a minha boca do seu ouvido e digo-lhe o que sempre desejei. Agarro o volante e mesmo que ela lute eu ganho esta batalha. Giro o volante e aponto o carro na faixa contrária. 

Um carro contrário não se consegue desviar.

 

Irei sempre tratar dela.

Fim.

Texto por: Daniel Lopes

Imagem por: Pierre Devlin