quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010

Parei de Escrever

Parei de escrever. Parei porque a minha mente, mentiras já não consegue, conseguem produzir. Algo novo. Algo real. Algo a que me posso agarrar.

Empurro os meus dedos pelo crânio a dentro até tocar no meu cérebro para conseguir parar esta dor de cabeça que me persegue. As vozes estão mudas, mas arranham-se. Olham para mim. Dentro de mim.

Todo este tempo abraçando os comprimidos, o álcool, as drogas para nada. Cuspo nos meus dias de ontem para os desejar de volta no dia de amanha.


Começa a chover ao mesmo tempo que tento apertar os atacadores das botas e segurar o cigarro na boca sem ficar a chorar dos olhos com o fumo ao mesmo tempo. Ainda não percebi muito bem porque fumo. Não me sabe bem. Não é bom beijar alguém que fuma. Não faz bem à saúde, senão não acordava todos os dias a tossir e a cuspir catarro preto.

“Mete-te na bebida em vez de fumar. Pelo menos com o álcool ficas mais alegre e fácil de aturar” – diz ela.

Raios parta os cabelos negros e olhos bonitos que caio sempre que nem um pato, e, raios parta os passeios pelos domingos de manha. Ela aperta melhor o casaco no pescoço devido ao frio ignorando a chuva que vai caindo certa.

“Não fico chato bêbado? Parece-me que toda a gente fica impossível de aturar com os copos. Então, os que começam a chorar não consigo ter paciência mesmo” – acabo de apertar os atacadores, levantando-me olhando directamente para ela de cima.

“Felizmente não passas por nenhuma fase difícil de aturar. Ficas alegre e mais livre. E o sexo é melhor…” – com aquele sorriso de sempre.


Olho de lado tentado perceber se quando não estou com os copos não é bom, mas sei que mais alguma palavra sincera sobre este assunto não consigo arrancar. Já estou mesmo a ouvir as palavras na minha mente – “Não, não querido. É sempre excelente. Verdade que é. Anda, vamos mas é passear.” E flores explodem no ar com a mentira inocente que não magoa o meu ego mas o faz de burro como se ele fosse um cego a pedir moedas no metro de Lisboa.


O cigarro de repente pesa uma tonelada na mão.


“Então, ficaste estranho de repente e ainda nem ias a meio com aquele cigarro. Levas-te a sério o que eu disse, foi?” – quase consigo sentir o riso a explodir na sua garganta.

Ela tapa a boca com a mão tentado disfarçar o riso contido. Faço-me de estúpido e abraço-a seguindo caminho. Ela deixa-se abraçar e aponta pelo caminho a seguir. Tento não pensar no assunto e nem fazer nenhuma pergunta.


“Podia ser melhor era?” – pergunto eu.


Raios.


“O quê? O sexo?” – responde-me ela com uma pergunta.

“Sim. O fazermos amor. Querias que fosse melhor?” – sinto-me a gaja nesta conversa. Ela diz sexo. Eu digo amor. Bonito…

“Nunca tive melhor. O melhor que tive foi contigo, por isso, não sei se queria que fosse melhor. Sei que é muito bom fazer contigo como também sei que não devias levar tão a sério tudo que eu digo.”


“Boa resposta.”


“Eu sei. E já recomeçavas a escrever novamente.” – Atira-me à cara enquanto estala os dedos para um pequeno cão deitado no passeio que se delicia a lamber a própria pata lentamente. Assobia e chama por ele, mas sem sucesso.

“Eu sei. Ando a tentar.” – Digo em modo de desculpa barra justificação.

Passeamos o resto da manha pelas ruas estreitas da cidade. Paramos. Andamos. Apontamos. Vemos e rimos. A chuva miúda vai e vem. A minha mão esfrega as suas costas por cima do seu casaco. Beijos sempre no inicio de uma curva. Um vício nosso. Como se ao concluir a próxima curva que dá para mais uma pequena rua fosse o começo de uma nova relação.


Aponto para um café já com um novo cigarro na mão. O sítio tem um aspecto acolhedor com os seus castanhos, as madeiras e o seu ar quente. Ao chegar à porta vejo o sinal de que não se pode fumar.


“Queres acabar de fumar aqui fora?” – pergunta ela enquanto se abraça a mim e eu dou mais uma passa. Abano a cabeça a dizer que sim e acabo de fumar. Olho para o fumo a diluir-se com o ar e meto a mão ao bolso.


Tiro o maço de lá e penso na minha escrita. Amasso na mão os cigarros todos e deito tudo fora. Ela olha para mim e eu encolho os ombros.


“Decidi meter-me na bebida.” – E nunca antes falei tão a sério.






A todos peço desculpa pelo meu tempo de ausência. Mudança de cidade. Mudança de personalidade. Mudança de atitude. Muitas mudanças ao mesmo tempo para me poder dedicar a isto e ir indo actualizando.
Vou fazer uma limpeza a este blogue e continuar. A ver o que o dia de amanha nos traz.

Obrigado

Texto por.: Daniel Lopes
Imagem por.: Desconhecido

terça-feira, 28 de Abril de 2009

Beast Lord

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Capitulo 3 – Jardins da Babilónia parte 2


Só o silêncio é grande;

tudo o mais é fraqueza.


Alfred de Vingny

La Mort du Loup (1864)



O silêncio consegue avassalar-me, engolir-me e eu entrego-me de bom grado a ele. Tudo se encontra negro à minha volta. Não caio. Apenas flutuo e o meu corpo vai rodando. Nunca pensei que fosse assim. Morri para ir para junto delas.

Tento gritar, mas sem sucesso.

Vivi e assisti ao fim do mundo, mas como tal, não o resisti para sempre. Dei o meu melhor e agora desejo o meu descanso. Quero ir para junto delas.

Uma luz acende-se ao fundo. Consigo vê-la.

Tento falar para dizer que estou aqui. Para que me venha buscar. Só desejo para que seja a minha mulher. Os seus lábios. As suas mãos. Que saudades eu tenho dela!

A luz vai-se aproximando e ficando cada vez mais brilhante. Noto que alguém a carrega. No ponto em que se dirige a mim, reparo numa mão pálida que carrega uma lamparina. Cerro os olhos para a luz não me ofuscar quando pára à frente da minha cara. Um homem, dentro de um manto negro, com detalhes em ouro carrega a lamparina. Não lhe consigo ver a cara, mas ouço-o a assobiar palavras como se as tivesse a arrastar.


Vim parar ao inferno não vim? - Tento eu perguntar, mas mais uma vez sem sucesso. Não consigo falar. Não me sai uma única palavra.


Vós aqui não faleis mortal. - Diz ele numa voz rouca que ecoa pelo negro - aqui nós ouvimos tudo o que vós penseis mas, direito a cuspir palavras mortais porcas ainda não tens direito.


Com a mão livre pega na minha face e vira-a para todos os lados. Volta a assobiar uma série de palavras que não consigo identificar nem perceber. O seu manto parece pesar-lhe, mas também não consigo perceber onde é que ele acaba. Ele mistura-se com o negro que me rodeia.


Segue-me. - No momento em que me vira as costas, volta a fundir-se todo com o preto deixando só a luz e a mão a descoberto para me mostrar o que devo seguir.


Tento caminhar e consigo. Sinto novamente o peso do meu corpo e sinto algo sólido debaixo dos meus pés, apesar de não conseguir ver onde é que estou a caminhar. Sigo a luz e vou reparando nas minhas roupas. São as mesmas e estão no mesmo estado. O sangue da ferida está aqui na mesma, mas ao levantar a roupa não vejo ferida nenhuma. Uma coisa é certa, eu morri, mas onde vim parar ainda não o sei.

Volto a olhar para a luz e para a mão que a segura e, passado um bom bocado de tempo, novas luzes vão aparecendo e iluminando um caminho que acaba junto a uma porta, onde pequenos pedaços de luz amarela saem debaixo dela. Os assobios parecem vir de todos os lado agora. Sempre que passo por uma nova luz, o mesmo assobio. Como se fosse sempre a mesma mão e a mesma voz em todas as lamparinas. Ao chegar à porta, reparo nos pequenas inscrições de metal que ela tem. Desenhos aleatórios de jardins e seres que nunca ouvi falar, nem nunca tinha visto.

A porta abre-se e eu sou puxado para dentro. Caio no chão directamente de joelhos mas não me magoo. Não sinto qualquer tipo de dor.

Olho em meu redor e não estava preparado para aquele cenário.

Uma sala enorme, com chão de mármore negra, repleta de colunas com inscrições feitas em ouro. Nas paredes, cortinas enormes vermelhas caem do tecto até ao chão, tapando por completo as paredes e grande parte do chão. Velas flutuam no ar iluminando por completo a sala. No tecto, pinturas de seres que se assemelham a anjos, bestas de corpo de humano com cabeça de bode e guerreiros repletos de armaduras negras que carregam espadas enormes e bandeiras rasgadas, mexem-se e olham para mim. Sussurram entre eles e comentam apontando para mim.

Ao olhar para o outro lado da sala reparo numa porta enorme feita de pedra erguendo-se majestosamente na sala. Na pedra está esculpida uma face com barba e cabelos compridos e os seus olhos estão fechados.

Fico tempos e tempos a olhar para aquela sala. Caminho sobre ela e a sua beleza sufoca-me. Perco tanto tempo nela que nem reparo no silêncio que se instalou na sala. Em como os sussuros e os assobios pararam.

Até que ouço a porta a mexer-se, a abrir lentamente devido ao seu enorme peso e, do negro ouço passos que duram uma eternidade até que finalmente aparece uma mulher, seguida por dois daqueles guerreiros com armadura negra do tecto. Reparo agora que as suas armaduras estão repletas de símbolos e desenhos. Um deles carrega um machado enorme e o outro um livro gigante envolto em correntes e uma espada enorme no ombro. Eles são enormes, atingindo facilmente os dois metros e meio de altura. O brilho dos seus olhos dentro do capacete negro é amarelo e penetrante.

Ao olhar para a mulher reparo na sua beleza com os seus longos cabelos negros e olhos também eles amarelos. Está vestida com um manto vermelho igual ao das cortinas, o que me faz olhar para elas. Elas agora mexem-se, como se pressentissem a presença dela.

Ela sorri para mim, parada, enquanto a porta se fecha novamente. Dá dois passos na minha direcção e eu não me consigo mexer.


Cássio, sê bem vindo! - diz ela com a voz doce e melosa. Os mantos no seu corpo esvoaçam sem haver vento na sala. - Sê bem vindo ao meio. Sê bem vindo ao jardim.


Continua...

Texto por.: Daniel Lopes

Imagem.: Chaos - Warhammer


terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

Bom Natal :)


Genevieve... genevieve...

Genevieve sentiu um ligeiro arrepio na pele ao entrar no bar. A música alta ecoava na sua cabeça ao mesmo tempo que diferentes cheiros lhe entravam nas narinas. Suor, sexo, alcool e pele queimada de tatuagens feitas recentementes confundiam os seus sentidos. Ela observava os corpos que se mexiam e dançavam ao som da música. Via lentamente o suor humano a escorrer pelos corpos.
Como ela os admirava.
As paredes forradas com panfletos de bandas que actuaram naquele bar e velas já queimadas que deixavam a cera derretida completar o cenario.
Há mais de 680 invernos que ela têm 16 anos. Afastou o pensamento da sua fome e olhou para o grupo de músicos em cima do palco. A mulher na bateria, o guitarrista que não se importava do sangue que lhe saia dos dedos manchando a guitarra e salpicando a cara enquanto tocava.
Ela sorriu e sentiu-se em casa neste ambiente. Os tempos mudam mas o gosto pelo calor, pela paixão e pelo prazer não. Passou a lingua pelos dentes afiados ao olhar de cima a baixo o corpo de uma mulher que dançava suavemente junto a uma das paredes.
Aproximou-se dela e suspirou-lhe no ouvido, e um suspiro foi quanto bastou. A mulher seguiu-a automaticamente. Usava um top que deixava a barriga e os braços nús. umas calças de ganga rasgadas nos sitios certos e Genevieve admitia para si que a exitava só de pensar em arranhar aquelas tatuagens que ela com tanto orgulho mostrava.

A música subiu de volume. O ar abafado a todos cegou e a boca de Genevieve encheu-se de sangue.

Genevieve... genevieve... só matas o que consegues.




Texto por .: Daniel Lopes

texto em formato de vénia ao livro que ando a ler. Genevieve da Black Library.

A todos desejo um fabuloso Natal. Todos nós merecemos mais do que pensamos merecer.

Viva a Revolução!!

Aqui fica um audio para ouvir enquanto odeiam o texto. lol

http://www.youtube.com/watch?v=bQTkOP60bGg

Imagem .: Capa do livro original "Genevieve".