terça-feira, 24 de junho de 2008

Amor e Doença


Hoje acordei ao sabor da lua a lamber os céus. Nao questionei o meu acordar nem o porque. Apenas sentei-me na cama e cuspi o sangue que tinha nos pulmoes. Ao olhar para o sangue senti vontade de o espalhar pelo espelho do quarto. Algo em mim queria tapar ou esconder tudo que ele tinha visto. 

Sera que ele sentiu o mesmo que eu?

Espelho meu, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu agora no final?

O meu punho cerra-se e começo a bater no espelho. Ele vai rachando. Vai quebrando. Vai sentindo a dor que sinto desde o momento em que pousei o meu olhar em ti. No momento que senti o teu cheiro. O espelho quebra. Pedaços de vidro voam cortando a minha face, e, em cada gota de sangue que sai do meu corpo eu mato um momento que vivi contigo. 

Duas horas passam e o meu corpo fecha as feridas que tenho. A porta abre-se. Tu entras pegando em mim e levas-me nesta cadeira com rodas. Falas e sussurras ao meu ouvido. Não consigo entender uma unica palavra, porque me perco com demasiada facilidade no teu sorriso. 

O meu corpo vai morrendo. O caminho até ao meu último destino acontece. 

A tua mão sobre a minha perna enquanto conduzes faz-me olhar pelo vidro e notar em todos os pormenores que atá hoje não tinha dado importância.

Vou sentir falta deste mundo.

As árvores que servem de ninho para os pássaros e de sombra para os casais. Vento suave num dia de calor. Vozes que falam uma com a outra. Carros com famílias lá dentro. Carros com pessoas sozinhas. Caminhos percorridos. Caminhos por percorrer. Onde vamos nós? Para onde? 

Vou sentir falta deste mundo.

Há oito anos atras, ainda antes de a beijar, ela disse-me que não podia algum dia ficar comigo porque tinha sida. Que não era justo amar alguém para depois quem sabe estragar-lhe a vida, e ver essa pessoa desaparecer. A minha resposta a esse momento foi apenas esta... beijá-la. Não queria saber. Era algo com que podia viver e contornar. Só e apenas queria tratar dela... pois, ela, era o meu amor. 

É o meu amor.

Ainda hoje, nos meus últimos momentos não me arrependo da decisão que tomei. Tratei dela, como sempre desejei, mas a doença acabou de cair sobre mim, e com a doença veio o ser chamado de morte que agora arranha a minha alma. Creio que me vou com um sorriso, mas, lamento saber que esta minha viagem parte-lhe o coração, e que ela se culpa por tudo que aconteceu. 

Nada disto é culpa dela. Não estou em dor.

Olho para ela, e tenho a certeza, que depois deste dia ela irá tomar a sua própria vida, e isso eu não posso deixar acontecer. Quero que ela tenho um funeral católico num futuro. Mesmo que lhe peça com todas as minhas forças ela vai ser a casmurra que sempre foi e não me irá ouvir, ou ligar a algo que lhe peço. Prendo-me nela. Na sua mão sobre a minha perna. Não tenho muitas mais forças. Uso o peso que resta do meu corpo e encosto-me a ela. Aproximo a minha boca do seu ouvido e digo-lhe o que sempre desejei. Agarro o volante e mesmo que ela lute eu ganho esta batalha. Giro o volante e aponto o carro na faixa contrária. 

Um carro contrário não se consegue desviar.

 

Irei sempre tratar dela.

Fim.

Texto por: Daniel Lopes

Imagem por: Pierre Devlin

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Amor misturado com sonhos

Quando a lua paira sobre as nossas almas damos por nós perdidos neste mar infinito de dúvidas e traições. Tudo pode cair como um pano no fim de uma peça. A questão é mesmo, o que acontece entre a lâmina fria que entra pelo teu corpo adentro e o êxtase de um orgasmo puro de prazer como morder o peito de um ser amado.
Podes-te ver perdido meu amigo, mas, o que posso apenas afirmar junto do teu ouvido é que tudo paira, tudo flutua. Tudo viaja e no fim o que fica são os momentos. Momentos esses que guardas junto a ti ou os que apenas atiras fora guardados numa caixa.

Um dia irás subir até ao monte mais alto da tua alma e nesse dia irás apaixonar-te por alguém que desejas, que sempre quiseste no teu núcleo sem nunca te teres apercebido desse querer.
Como beber um bom copo de vinho, vais sugar todos os pormenores do amor que ele tem para te oferecer. Todas as palavras irão ficar marcadas, mas, toma consciência que também esse amor te irá cuspir, pôr o teu corpo sobre uma dor agonizante, onde muitas vezes irá vir em ondas silenciosas.
Olha meu amigo, olha pelos meus olhos e vê este conto que te tento contar:

Algo em ti ainda é secreto... - diz ela sentada no meu colo com os lábios a raspar a minha orelha - secreto para mim.
Algo? - pergunta ele incrédulo afastando a cabeça e olhando-a nos olhos.
Sim. Ainda não descobri que algo é esse. Mas sei, sinto que me irás magoar e deixar. Apenas o que me resta é aproveitar o tempo que me resta contigo. - O olhar dela torna-se penetrante nos olhos dele.
Estou aqui. Não vou a lado nenhum. Nem o quero. - Responde ele com toda certeza no seu ser.
Estás aqui agora, mas, a verdade é que não o vais estar amanha.
O que te leva dizer isso meu amor? - Pergunta ele realmente curioso, e quem sabe, que o dia de amanha chegue.
Tudo me leva a sublinhar as palavras que já disse. Apaixonei-me por ti, e sei o que quero contigo. Daí a razão que quando te digo que te amo, ou apenas, que gosto de ti, não podia ser mais sincero... - ajeita o cabelo castanho e enche o peito de ar para ganhar coragem para confessar as suas próximas palavras - Olho para ti, e sei que tu és o meu tal. Pode haver palavras tuas que me irão magoar. Pormenores em ti, que posso não achar perfeito. Até um cabelo fora do sitio que nao se enquadra no meu sonho de homem eu irei reparar...
Creio que estou a compreender - interrompe ele.
Até mesmo sei que irá haver sempre algo ou alguém que vou desejar com que fosses tal e qual, mas isso, não passa de coisas com que sonho... - continua ela - coisas inatingiveis. Não quero que sejas o meu sonho. Apenas quero que sejas meu. Que estejas ao meu lado no dia de amanha, porque no fim do dia, eu não te consigo amar sem os teus defeitos e acima de tudo, sem eles, nao consigo viver ou mesmo respirar.


Compreendeste meu amigo as palavras que te mostrei? compreendes que o que desejas nunca o irás ter? Agora no fim do dia quando estiveres com música a tocar nos teus ouvidos o que vais desejar, vai ser um sonho que nunca poderás vir a ter, ou algo, real e sincero?
A decisão apenas te cabe a ti, mas no fim, eu estarei aqui no batel para te julgar e levar pelos corredores neste rio de sangue pelas decisões que escolheste.

O amor nao foi criado para ser perfeito, mas sim, para ser amado.

Sente a areia da tua nova praia entre os teus dedos dos pés e por favor, por favor, não estragues tudo.


Texto por.: Daniel Lopes na companhia de Sofia Fernandes ^^



sábado, 3 de maio de 2008

MSTRKRFT - High Fidelity


High Fidelity Recomenda :







Artista: MSTRKRFT


Não é muito do meu universo musical falar de artistas que se "dobram" sobre a musica electrónica, mas, tenho que admitir que estes dois DJ's despertaram realmente a minha curiosidade. Principalmente, porque os fiquei a conhecer devido a alguns Remix de musicas de bandas como Wolfmother, The Kills, Block Party etc. O que me levou a estudar quem eram estes MSTRKRFT.
Ora bem, MSTRKRFT que se lê como "Masterkraft", é composto desde 2005 por Jesse F. Keller, ex-integrante dos Death from Above 1979 (sim, os CSS tem uma musica onde referem desta banda :) ) e Al P. (Alex Puodziukas), ex-integrante do grupo de electropop Girlsareshot.

E explicar a sonoridade dos MSTRKRFT, deixo mesmo ao critério do Al P. - ""Pesado, disco underground e muito house com pitadas de rock americano".

É claro que eu vi a maior parte da piada no som, devido aos remixes, e isso, eles conseguem cativar sem estragar a verdadeira essência da musica original. Em relação aos seus álbuns de originais, já não me conseguem atrair tanto.

Outro aspecto interessante é que estes senhores vão estar neste mesmo ano, no festival de Oeiras, por isso, quem for ao festival e não conhecer esta "banda", aconselho seriamente a ouvir e a apreciar. Creio sinceramente, que eles irão trazer uma boa sonoridade ao festival.

E aqui deixo o link para o vídeo do remix da musica Monster Hospital pelos Metric.
http://www.youtube.com/watch?v=UbEDmEeOFi4




Enjoy

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Madeleine.



Línguas de mel em bocas de cobra. Esta, e apenas esta é a explicação para tamanha mentira. Escreves-me uma carta com o teu próprio sangue a falar-me dos teus desejos. Dos teus lábios e do teu corpo. De como me querias tocar e despir-me.

Acredito em tudo. Mesmo quando leio as tuas cartas junto do corpo do meu pai deitado na cama que vai morrendo com cada segundo que eu dispenso a olhar para as letras. Para as letras que me escreves. Porque me dizes que escreves as tuas palavras em sangue e suor!? Não vês que isso só me faz querer gritar. Gritar ao ouvido do meu pai até o seu cabelo ficar totalmente branco, até a sua pele começar a cair e no fim só existir a cama. Para ele morrer de uma vez, e eu poder correr até ti.

Uma ultima vez.

O seu cheiro eu não quero sentir mais. A sua velhice eu não quero ver mais. O que eu desejo. O que eu quero, é apenas sentir o teu calor. O teu corpo. Os teus lábios nos meus. Os teus dedos finos e fortes a passar pelo meu corpo. a arranhar a minha pele. Dizes que eu sou bela e pões a tua mão no meio das minhas pernas.

Nada disto é correcto. Nada disto nunca poderia ter sido aceite... mas, não consigo parar de pensar em ti.

Ainda me lembro da primeira vez em que te toquei. No coche. Iam só as nossas duas almas. Não falamos, mas, os nossos olhos não se desprenderam um dos outros. Levantaste-te e vieste para a minha beira. Sussurras-te as mais belas palavras ao meu ouvido, e com um toque certo e calmo dos teus dedos viras-te a minha cara para ti. Sei que foi só uma questão de segundos, mas pareceu-me uma eternidade até os teus lábios tocarem nos meus.

E qual é a mentira? A mentira reside em todos aqueles escritores que falam de amor, e paixão, e que enfeitam tanto que acreditamos ser possível realmente viver e ser feliz. Eu encontrei o meu amor. A minha paixão, e agora, não a posso viver?

Este mundo é uma mentira, e o amor, não passa de dor com vestidos virgem.

Vou ver o meu pai a dar o seu ultimo suspiro, e com esse suspiro ele irá ver o meu sorriso e os meus olhos em lágrimas.

Com o cair da lamina da guilhotina sobre o teu pescoço eu irei tomar o veneno que guardo.

Podemos não poder estar juntas agora... mas, meu amor, esta vida não nos ira derrotar na próxima.

Da sempre tua

Madeleine.







Texto por: Daniel Lopes



Imagem por: Kamilsmala